CASO BLUE EVENING

O Blue Evening chegou a mim após os proprietários no Jóquei Clube desistirem dele no final de 2007 com 2 anos e 8 meses. Filho de Syncline en La Macarena, uma égua argentina, que veio prenha dele dos Estados Unidos, foi adquirido por R$100.000,00 no ano de 2006…

Pra quem conhece algo de corrida, o pai dele, durante muito tempo, foi o cavalo que mais ganhou dinheiro em prêmios nos Estados Unidos, e ele seria uma grande promessa para o Turfe Nacional.

No diagnóstico convencional que ele tinha, o seu maior problema era Hemiplegia Laringeana, uma condição que acomete o sistema respiratório e que é impeditivo a uma boa performance na corrida.

Ele sofreu duas intervenções cirúrgicas, melhorou uma boa parte na primeira e parece que na segunda não muito, na qual o castraram também (condição genética, não serviria como reprodutor de corrida). Mesmo assim, continuou em treinamento, porém quando chegava em um treinamento mais forte ele ia e passava vários dias em baixa performance.

Quando decidiram “vender o Blue Evening”, na época por R$ 1.000,00 (normalmente os proprietários fazem isso e dão o dinheiro aos funcionários do Jockey, porque nada mais vai recuperar o prejuízo que tiveram), eu estava de médica veterinária no Exército Brasileiro e recém havia entrado em uma competição de adestramento, onde havia saído vice-campeã e estava com muita vontade de voltar a montar realmente, e ainda, morava dentro do Jockey provisoriamente. Foi quando meu caro, hoje amigo, Boca – que era o Gerente de Cocheira do Haras das Estrelas, do tão lembrado Sr. Raul de Moraes Filho, pai do atual presidente Raul de Moraes Neto – me falou deste cavalo que estava à venda.

Fui lá na cocheira vê-lo e foi “amor a primeira vista”! Ele estava deitado na serragem (ele sempre deitou depois do almoço – tipo a dona precisa de uma siesta), eu olhei ele ali deitado e pensei: “É o cavalo que eu sempre sonhei ter”.

Foi quando eu falei com o Boca e disse a ele: estou indo para a Inglaterra  acompanhar o trabalho, de uma das mais renomadas médicas veterinárias de claudicação de cavalos no mundo – Dra. Sue Dyson, Lá é 7 vezes a nossa moeda (na época era), eu acabei de ficar em 2º lugar em uma competição importante de adestramento, não posso pagar por ele nesse momento, mas se o dono quiser me dar ele pra eu trabalhar e voltar a competir, eu quero.

RESULTADO:

Ganhei o cavalo de R$ 100.000,00 filho do Syncline!

E o pior e mais triste, por incompetência dos colegas na época!

É chato ter que falar assim, mas durante muitos anos eu venho assistindo a determinadas situações e ficando quieta, até para “não ser esmagada pelos grandes e competentes”.

Mas o Blue Evening tinha Dor Sacroilíaca Crônica e Síndrome Metabólica, duas condições que poderiam ter sido perfeitamente tratadas e administradas desde que DIAGNOSTICADAS.

Daí eu me pergunto?
Por que profissionais de tão alto gabarito não diagnosticam este tipo de problema?

Será por que eles realmente não têm preparo para isso ou porque a corrida não necessita dessa performance mais longa, que se passar ali, naqueles poucos segundos já tá bom?

Será porque correr, galopar é algo tão natural ao cavalo, principalmente jovem, que eles não precisam de “muito mais do corpo para tal”?


CASO BLUE EVENING:

Após um estresse físico (fissura de boleto) e emocional muito grande (ficou preso nas cordas de sua cerca devido a “ajuda” do seu amigo Mulo), este desencadeou um processo de Laminite.

Por ser um animal com Síndrome Metabólica – estava sempre no limiar do processo inflamatório, o trauma emocional de ter ficado um tempo preso nas cordas – estava tremendo e suando todo o corpo – levou a desencadear o estresse metabólico e a laminite que foi controlada inicialmente. Devido a fissura no boleto esquerdo, Blue Evening jogava mais o peso na mão direita, onde se teve 60% do cuidado, e acabou estourando na mão direita uma rotação da 3ª falange. Chegou ao ponto de perfurar a sola – muito grave, era possível se ver a ponta da estrutura na sola.

Foi feito tratamento com Medicina Tradicional Chinesa Veterinária (MTCV), Ervas Chinesas, Sangria nos pontos de Acupuntura locais, Laserpuntura, Eletroacupuntura e Magnetoterapia.

Além do tratamento convencional com DMSO injetável 10% e anti-inflamatório não esteróide, retirada da alimentação de grão e apenas feno e capim.

Blue Evening estabilizou, melhorou e teve uma recaída, que foi quando perfurou a sola, devido a ferradura estar mal colocada, e ficar pisando mal. No total, foram 3 recaídas ao longo de 2 anos, sempre “por alguma coisa além"!

Na segunda recaída, ele estava em um sítio em Itaguaí e precisava ficar mais próximo. Foi quando consegui – por ele ser PSI – que ficasse no jockey, pois estando próximo, poderia ser tratado 2 vezes ao dia pelo menos. Após um tempo de tratamento, desta vez sem ervas chinesas, melhorou e estabilizou por um bom tempo, até que, lá dentro mesmo, por vontade do tratador em vê-lo mais bonito - e agradar a proprietária – a mesma médica veterinária, aumentou por conta própria a comida dele. Então ele teve uma terceira alteração, que apenas parecia um andar meio atáxico, pois a mão esquerda e o pé direito estavam diferentes, de verdade, era o pulso da mão e pé que estavam aumentados e ele tirava estes membros mais rápido do chão, parecendo um sinal neurológico.

Será que essa é uma das “alterações neurológicas” que as pessoas veem às vezes?

Após essa regulação da terceira recaída, passou a estar muito bem, já com o casco completamente trocado, nadando 2 vezes na semana, com uma ótima musculatura, correndo quando solto (até o momento em que a pata doa) e sendo feliz como um cavalo!

Blue Evening viveu 4 anos após sua grave laminite nas 4 patas, com 3 reincidivas, rotação da 3ª falange com mais de 25º na primeira reincidência. Você já havia pensado que isso seria possível?

Clube NAM - Natural Animal Movement

Ana Stela Fonseca

Médica Veterinária
CRMV-RJ 5986
        

+55 21 98375-4007

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